O mundo ainda vive em mim,
como um malmequer que nasce entre pedras e cinzas.
Renasço a cada instante,
mesmo com lembranças que cortam
e a saudade de lhe ter perdido.
Só serei feliz quando estiver com você de novo.
Isso pode nunca acontecer.
E talvez por isso a felicidade seja inatingível pra mim.
Amar é aceitar o que existe,
mesmo quando dói ou dá medo.
O mundo está aí, inteiro,
mesmo que eu carregue dor e saudade.
Não penso demais, apenas sinto,
como vento na pele.
Cada instante é morrer.
na ausência, na surpresa, no que resiste.
Meu coração se partiu, se abriu, se entregou,
a dor me fez pequeno e gigante ao mesmo tempo.
Ando pelas ruas da memória,
olhando pra todo lado, às vezes pra trás…
Casas cheias de risos e sombras,
brincadeiras que ficaram, lágrimas que queimam.
No meio de tudo,
sob a sombra de Mehen,
sou sim, um ceifador de memórias
mas há memórias que nunca ceifarei,
Tão densas e pesadas
como gigantescas árvores
antigas, belas
por estas me deixo esmagar de bom grado
E para estar junto dessas, que não quero abandonar
Ceifo as memórias menores, ervas daninhas
Pois não há corpo que aguente carregar todas
Arrasto lembranças colossais como quem abre caminho,
sinto a dor inevitável
pela perda de quem amei.
Morro a cada instante, sim
Mas ainda renasço,
porque o ciclo não para,
e cada átimo me dá um pedaço de eternidade.

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