sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Árvores Colossais

 O mundo ainda vive em mim,

como um malmequer que nasce entre pedras e cinzas.


Renasço a cada instante,

mesmo com lembranças que cortam

e a saudade de lhe ter perdido.

Só serei feliz quando estiver com você de novo.

Isso pode nunca acontecer.

E talvez por isso a felicidade seja inatingível pra mim.


Amar é aceitar o que existe,

mesmo quando dói ou dá medo.


O mundo está aí, inteiro,

mesmo que eu carregue dor e saudade.

Não penso demais, apenas sinto,

como vento na pele.


Cada instante é morrer.

na ausência, na surpresa, no que resiste.

Meu coração se partiu, se abriu, se entregou,

a dor me fez pequeno e gigante ao mesmo tempo.


Ando pelas ruas da memória,

olhando pra todo lado, às vezes pra trás…

Casas cheias de risos e sombras,

brincadeiras que ficaram, lágrimas que queimam.


No meio de tudo,

sob a sombra de Mehen,

sou sim, um ceifador de memórias

mas há memórias que nunca ceifarei,

Tão densas e pesadas

como gigantescas árvores

antigas, belas

por estas me deixo esmagar de bom grado

E para estar junto dessas, que não quero abandonar

Ceifo as memórias menores, ervas daninhas

Pois não há corpo que aguente carregar todas

Arrasto lembranças colossais como quem abre caminho,

sinto a dor inevitável

pela perda de quem amei.


Morro a cada instante, sim

Mas ainda renasço,

porque o ciclo não para,

e cada átimo me dá um pedaço de eternidade.


Gustav Klimt,Roseiras sob as árvores



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