domingo, 22 de julho de 2012

A vida se esbroa

Cada vez mais menos falo
Cada vez são menos pessoas
Calo-me mais a cada tempo
E cada dor menos ressoa

Amo menos cada momento
E cada vez mais a vida se esbroa
Ouço-me mais por noite á dentro
E cada vez mais o dia enevoa

Navego mais sobre meus pensamentos
E mais ansioso fico na proa
Mais harmonia procuro por dentro
E bem pior é a confusão que entoa

Tarde e tarde mais solitário
E dependo mais de quem me magoa
E a cada dia mais magoado
Nem sei se não sou eu quem magoa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Como é que se diz?

Por acaso seremos perdulários
Com o sentimento sempre em semblante
Ou exessivamente calados, na calada da noite?
Nós, que somos descendentes das profundas águas
Dos medos, das frustrações
E que compartilhamos no dia-a-dia
Um gosto pela superação e pela vida
A despeito de toda as suas fatalidades
E destinos inexoráveis!
Como é que se expressa o amor
Em um verdadeiro shopping de sentimentos?!
De corpos e de vitrines propagandistas de...
Pessoas?
Como é que se murmura esse carinho
No ouvido de alguém?
Sem ter receio do abandono
Da troca
E até mesmo do... Desperdicio...
Nós, mesquinhos por languidez!
É facil maldizer o amor quando não se ama,
Quando não se é amado.
É facil calar-se
Mas quando se ama novamente...
Quando depois de tudo,
Ah, quando se ama de novo!
Qual a necessidade de dizer, qual a urgência?!
Nesse contexto dos deslaços afetivos...
Como é que se diz 'eu te amo'?!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O mistério de Ariadne

Após passos lentos e pesaroso no escuro
Procurando a santa afirmação da vida
Tudo mais uma vez faz sentido
E o universo dança em eterna confirmação

E chacoalha as árvores de onde saem
borboletas e bolhas e os risos
Das crianças fraternas e imaginativas
Que conhecem as deidades e o cosmos

O quanto me aliviaria se soubesse antes
Meu destino feliz de estar ao seu lado
E que só assim seria veemente possível
Reafirmar a vida em sua totalidade?

Agradeço a ti, minha pequena Ariadne
Por me fazer entender o teu mistério
Em meio a ordinariedades e falsas buscas
A importância de alguém ter para afirmar

Agradeço a ti, minha pequena Ariadne
Que com tuas orelhas delicadas e macias
Faz pulsar em mim em giro infinito
A vontade (e)terna de te ver. (viver)